Tinha escrito matéria com esse tema na época da pandemia, mas como não tinha salvado, perdi o texto. O texto foi emocionante, porque mexeu com a minha memória, lembrando da minha infância, época da inocência, onde tudo era novidade.
Nos dias de hoje, não sinto saudades da minha família, mas sim, muitas saudades dos meus amigos de infância. Fico imaginando como eles estão nos dias de hoje, mas seria a mesma coisa?
O tempo vai passando, as coisas vão se transformando e se afastando ao mesmo tempo em relação a amizade. Na minha infância morava no bairro do Flamengo, e brinquei muito na Praça São Salvador.
Tinha um amigo chamado Beto Negão, brincava muito com ele, pois ele era muito querido por todos. Todas as crianças gostavam e brincavam com ele. Acho que tive amizade com ele, desde aos meus 10 a 13 anos de idade.
Foi quando o meu irmão mais velho disse: "Márcio não brinca mais com o Beto Negão, porque ele foi preso roubando!". Na hora tinha ficado sem reação, como gostava dele.
Um dia encontrei com ele na Praça São Salvador, e nenhuma criança quis brincar e falar com ele. Então fui chama-lo para brincar, ele rejeita e dá as costas e vai embora chorando, não querendo conversa com ninguém. Esse evento me marcou muito.
Os meus melhores amigos de infância foi quando era bem criança até aos meus 14 anos de idade. Até nessa idade todos desapareceram, e nunca mais tive notícias deles. Sinto muitas saudades deles, até nos dias de hoje.
Então tinha começado a fazer novas amizades, mas em torno dos 14 anos, a inocência estava morrendo, começando assim as cobranças e as competições. Cobranças para arrumar emprego, assumir responsabilidades, competição de quem pegava mais mulheres, etc.
O mais engraçado de tudo, eles estavam se preparando para o vestibular, mas ao mesmo tempo, me mandavam trabalhar em subemprego, e para esculachar mandava fazer concurso para gari.
Chegou a tal ponto, que tive me afastar deles, porque tinham perdido respeito por mim. Eles nem tinha entrado na faculdade, mas estavam se sentindo superior a mim.
Com o passar do tempo, fui encontrando com alguns amigos de infância, mas todos eles estavam totalmente transformados. Alguns entraram para o crime, outros drogados e alcoólatras, outros ficaram ricos e esnobes, e assim por diante.
Teve uma época que tentei restaurar amizades antigas, principalmente da infância, mas não deu certo. Pensamos que vai ser a mesma magia da infância, mas a sociedade destrói os relacionamentos humanos, fazendo indivíduos ficarem somente preocupados pela sua sobrevivência.
A infância é uma coisa muito passageira, inocência, brincadeira e zoação. Mas, a vida nos mostra que uma hora isso acaba! Quando entramos na adolescência, começa as cobranças da sociedade, transformando os seus amigos de infância, em seres insuportáveis e egoístas. Começa as competições de quem pega mais mulheres, quem vai fazer mais dinheiro, e assim por diante.
Uma vez entrei numa comunidade do Facebook, dos ex-alunos de uma escola onde estudei a 3 série. E lá encontrei uma garota que tinha estudado comigo, nós éramos muito amigos, então entrei em contato com ela, e disse: "Oi tudo bem! Sou eu Márcio, que estamos juntos na 3 série no ano de 1984! Nós éramos muitos amigos, lembra de mim?". Tinha pensado que ela ia gostar de falar comigo, ela simplesmente ignorou e bloqueou.
Tive um amigo de infância, nós fomos criados juntos, como irmãos mesmo, já nos encontramos algumas vezes, e nada! Só cumprimentamos e mais nada!
Hoje em dia cheguei à conclusão, de que devemos esquecer dos nossos amigos de infância! Tudo na vida tem a sua época, a fase da infância não volta mais, já morreu e deve deixa-lo lá trás. Uma vez, li uma matéria muito interessante sobre isso, que disse: "Amigos de infância, deve ficar na infância! Esquece deles, não vai ser mesma coisa!".
Assumo que esses pensamentos me incomodam, fico lembrando das brincadeiras, zoações, brigas, e assim por diante, mas no final sempre se mantinha à amizade. As pessoas se transformam ao longo dos anos, a inocência morreu e as coisas não vão voltar novamente.
Não force, não tente restaurar uma coisa que ficou lá trás. Às vezes visito os lugares da minha infância, o vem na minha mente uma sensação de lembrança, e de inexistência ao mesmo tempo. Parece que aquilo não aconteceu, que foi apenas um sonho. Mesma coisa com os amigos de infância, parece que eles não existiram, que tudo foi apenas um sonho. Desapegue e esqueçam dos seus amigos de infância.
Márcio de Andrade

Acho que muitas pessoas já passaram por isso que você passou de sentir saudades da infância, já que isso nos trás aquela Memória Afetiva. Quando li a respeito acerca da Memória Afetiva, comecei a despegar mais do passado. E as pessoas mudam, eu mudei, você mudou, todos nós mudamos. Os nossos amigos de infância não são mais os mesmos e está tudo bem, vida que segue.
ResponderExcluirEm falar em " amigos de infância " do texto do Márcio, algum confrade aqui do blog já estudou ou teve um parente que estudou no colégio laranjeiras da conde Baependi 69 do RJ na década de oitenta ? Esse colégio fica bem na frente da praça sao salvador que o Márcio está se referindo....kkkkkkk eu reencontrei um colega de infância ano desses que me tratou muito bem, ele virou fisioterapeuta, casado, com um filho, mora na tijuca, mas ele não era um amigo de infância mesmo, era mais um colega......mas me tratou bem
ResponderExcluirA maior parte das amizades na minha infância eram da época de escola,eu vejo raramente alguns,muitos casaram e tem família hoje,outros sumiram.Eu devo ser o único que não casou ou teve filhos.
ResponderExcluirNão tenho essa carência de amizades . Com o tempo todos se afastaram.
ResponderExcluirTambém não tenho. Alguns amigos do colégio me adicionaram no Instagram , aceitei todos eles, mas, não senti a mínima vontade de conversar com eles. Estou em outra fase da minha vida, outro pensamento e outra mentalidade. Mas, o Márcio acertou em cheio, quando disse que a Sociedade estraga as relações humanas, ele poderia fazer um tópico só sobre isso.
ExcluirMárcio posso ser seu amigo virtual?
ResponderExcluirPode ser! Escreva para mim: marciio.andrade2020@gmail.com
ExcluirAbraços!
Sou um millenial nascido em 1988.
ResponderExcluirMinha infância nos anos 90: jogar bola na rua, jogar super nintendo na locadora e disputar com amigos de lá quem ganhava mais partidas no superstar soccer, brincadeiras de rua como bolinha de gude, pega-pega, esconde-esconde, carimba, entre outras, assistir desenhos da época na tv manchete, viajar pro interior com os pais, lembranças de comidas, doces da época, datas comemorativas com a família reunida, natais, reveillons, etc.
Tudo parecia mais feliz, mesmo que seja só a memória afetiva agindo, são doces lembranças.
Hoje em dia: não tenho mais contato com amigos de infância. Podemos cruzar por aí e sequer nos cumprimentarmos. Uns casaram, tiveram filhos, mudaram de estado, e toda aquela amizade sincera e inocente evaporou-se com o tempo e restou lembranças distantes, vagas, que nos fazem questionar se tudo realmente aconteceu. Como poeira ao vento.
Ainda me pega como boas amizades antigas se desfazem e pessoas que antes conviviam conosco viram completos estranhos com o passar do tempo.
Uma das cenas finais de Stranger Things é bastante significativa: Mike olhando as crianças jogando D&D no mesmo lugar que ele costumava jogar quando tinha a idade deles. O marco do fim da infância, da inocência e das amizades sinceras. O começo de uma era de cobranças e responsabilidades infinitas e crescentes dificuldades. É inevitável: tudo vai mudar e só restarão as memórias afetivas de um tempo que nunca irá voltar.